PF desarticula esquema que teria desviado ao menos R$ 6,6 mi do IFPR

Matéria da BANDNews com aúdio da audiência da PF

 
Corporação suspeita que valor desviado pode ser maior e diz que todos os contratos foram assinados em Curitiba. Entre os presos estão três professores da instituição de ensino
Com informações da Gazeta do Povo

A Polícia Federal (PF) do Paraná deflagrou uma operação nesta quinta-feira (8) para prender suspeitos de integrarem um esquema de desvio de dinheiro público da área de ensino à distância do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná (IFPR). A suspeita é de que um grupo que atuava em Curitiba tenha desviado pelo menos R$ 6,6 milhões.

No total, 18 mandados de prisão foram cumpridos na ação que foi batizada como “Operação Sinapse”, sendo que três dos presos são professores da entidade. Pela manhã, 14 tinham sido presos e no início da tarde foram concluídas todas as prisões, segundo a assessoria de imprensa da PF. O esquema de corrupção envolvia funcionários do instituto e de duas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscips), sediadas em Curitiba.

Hugo Harada/Agência de Notícias Gazeta do Povo

Hugo Harada/Agência de Notícias Gazeta do Povo / Fachada do prédio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná (IFPR) Ampliar imagem

Fachada do prédio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Paraná (IFPR)

Apesar toda a movimentação apontada como irregular ter ocorrido na capital paranaense, mandados de prisão e de busca e apreensão são cumpridos em outras três cidades: São Carlos e Sorocaba, no estado de São Paulo, e Cascavel, no interior do Paraná. Isso porque alguns dos envolvidos estão morando nesses locais atualmente.

Felipe Hideo Hayashi, delegado da PF que coordenou a operação, disse que houve ajuda da Controladoria Geral da União (CGU) para descobrir o esquema. “Através dos seus mecanismos de controle, a CGU identificou os indicativos do desvio de recursos repassados pelo Ministério da Educação ao Instituto e por isso acionou a Polícia Federal. Além do desvio de recursos, também são apurados fraudes na contratação desses servidores [três professores], haja vista que não houve uma seleção efetiva para o cargo”.

Moacir Rodrigues de Oliveira, chefe da Controladoria Regional da União no Paraná, diz que ainda não está claro como os estudantes que faziam esses cursos à distância foram prejudicados. “Até o momento, ainda não conseguimos comprovar de que forma essa quadrilha lesou os alunos matriculados nesses cursos. Por enquanto, identificamos que os cursos foram ofertado, mas o problema é que isso teria ocorrida de forma superfaturada e com desvio de recursos públicos”.

A Polícia Federal continua nesta quinta-feira cumprindo os mandados de busca e apreensão e os quatro mandados de prisão que ainda faltam. É possível que o desvio de recursos públicos ultrapasse a casa dos R$ 6,6 milhões, já que ainda haveria R$ 11 milhões a serem executados pelas Oscips. A PF também solicitou à Justiça a suspensão dos contratos com as instituições. Os nomes das entidades e dos presos não foram divulgados.

Contratações ilegais

As prisões e mandados foram expedidos depois de uma investigação que começou em março de 2012. Foram descobertos indícios de que o grupo desvia recursos públicos desde 2009. Para aumentar o “lucro” do esquema, alguns serviços previstos nesses contratos não eram prestados.

Para mascarar os crimes, o grupo usava contratos falsos e fazia prestações de contas que não existiam. Havia ainda o pagamento de propina a funcionários do IFPR e das Oscips. Foram utilizados ainda funcionários públicos que os chefes do esquema conseguiram aprovar em concursos públicos de maneira fraudulenta.

Os integrantes da quadrilha, conforme a Polícia Federal, devem responder pelos crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, estelionato e crimes da lei de licitações.

Carros de luxo

A Polícia Federal pediu à Justiça a apreensão de 30 carros que eram utilizados por membros da quadrilha, mas foi concedida a autorização para sequestrar apenas três desses veículos. São eles um Porsche Cayman, um Range Rover e um Mercedes Benz.

Estão na lista de trabalhos dos policiais como parte da operação ainda o cumprimento de 10 mandados de “condução coercitiva” (quando a pessoa é forçada a depor na instituição policial) e 43 de busca e apreensão. Dois funcionários do IFPR serão afastados de suas funções devido às investigações.

Posicionamento do IFPR

Em nota, o IFPR disse que “todos os documentos solicitados foram prontamente entregues para investigação”. A entidade ressaltou que a atual gestão, iniciada em junho de 2011, “toma providências internas [desde que assumiu] para verificar a regularidade e averiguar todos os convênios firmados pelo Instituto Federal do Paraná”.

O instituto diz que pediu informações sobre os termos das parcerias com as Oscips à Diretoria de Educação à Distância (EAD/IFPR), “com solicitação de colaboração da Controladoria Geral da União/Controle Interno do Ministério da Educação para realização de auditoria.” O documento diz ainda que “O Instituto Federal do Paraná reitera seu compromisso com o ensino público e com a transparência da gestão, e aguarda mais informações e o prosseguimento das investigações”.

Confira mais em:

Operação Sinapse combate desvio de recursos públicos no Paraná

Polícia Federal cumpre mandado em Sorocaba na operação Sinapse

Nota de esclarecimento do IFPR

Relembre problema semelhante na Escola Técnica da UFPR:

De onde veio o grupo que “formou” o IFPR? Diga-me com quem tú andas que te direi quem és.

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4 respostas para PF desarticula esquema que teria desviado ao menos R$ 6,6 mi do IFPR

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